Votação do Plano Municipal da Educação

MR PME png1

[versão para download e impressão:]
https://drive.google.com/file/d/0B5F8PfJXRJKQU29HbFB5ZjFvTXM/view

MULHERES RESISTEM – MT

23 de Junho: votação do Plano Municipal da Educação
Nossa opinião e nosso REPÚDIO!

Como em outros munícipios, em Cuiabá, também houve a construção do Plano Municipal de Educação; como em outros municípios, as forças em defesa da “família” e da igreja também se organizaram para que fosse retirada, principalmente, a palavra gênero do documento. Durante todo o processo de construção do Plano, quando ainda estava em discussão pela comissão composta por SEDUC/MT (Secretaria de Educação), Conselho Estadual de Educação e SINTEP/MT (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público), ocorreram pressões e ameaças aos que participavam das discussões por parte dessas forças – o SINTEP/MT, por exemplo, soltou uma nota de repúdio a essas práticas.

Apesar do modo burocrático pelo qual, muitas vezes, esse Plano é construído, sempre buscou-se garantir que a Educação Básica do munícipio tivesse acesso a debates que fortalecessem uma formação mais humana e que promovesse a igualdade – como orientação de documentos mais gerais que regulamentam a Educação Básica brasileira. A inserção de tais pautas nesses documentos foi um avanço conquistado com muitas lutas de educadores, sindicatos e movimentos sociais.
Mato Grosso é marcado por um histórico de opressão e por uma estrutura social que ainda reflete muito dos “tempos do coronelismo”, sem contar seu forte conservadorismo religioso. A luta e a conquista da Gestão democrática nas escolas do município e do estado foram uma das tentativas de vencer essa barreira do “coronelismo” na educação, já que gestores indicados por políticos regiam as escolas com mãos de ferro. E essa luta começou com mulheres – sempre é bom lembrar –, educadoras organizadas na primeira Associação em MT, que deu origem ao SINTEP / MT.

Por essa e outras tantas razões, a perda de tal pauta para as forças da direita significa um retrocesso nas conquistas e avanços na luta por uma educação mais emancipadora. Uma perda amarga para trabalhadoras que têm seus filhos nas escolas públicas, para educadoras que atuam na rede municipal, para lésbicas, gays, trans, negras e todas e todos que lutam pela transformação social.

O dia da votação do Plano na Câmara dos Vereadores de Cuiabá (23/06/15) mostrou todo o conservadorismo, o preconceito e o autoritarismo ainda imbuídos na sociedade cuiabana e em MT, no geral. “As famílias” da elite cuiabana e a igreja católica mostraram-se das mais conservadoras. A câmara mostrou a quem serve, aos interesses dos opressores e dos conservadores. A polícia mostrou que está sempre a postos para proteger essa estrutura.
Mais do que isso, o grande número dos defensores da “família” na Câmara nesse dia e a forte presença dos padres (todos uniformizados com suas batinas) demonstrou o quanto essa direita cuiabana está cada vez mais organizada. O fato de tentarem a todo custo tomar todos os lugares da sessão e toda a entrada do prédio é um exemplo.

Esse dia também deixou claro como a democracia está apagada da câmara, assim como de outros espaços. Além dos vereadores terem votado a favor da “tradicional família”, enviou o aparato repressivo do Estado para calar as vozes que manifestavam por uma educação laica de verdade, pela igualdade dos seres humanos, contra o preconceito e a violência. A forma violenta como a polícia expulsou essas vozes para fora do prédio e o apoio dado pelos defensores da “tradicional família” à ação policial truculenta (gritando alto a palavra família, ao verem a polícia empurrar vários militantes) nos mostram na prática como essas forças estão alinhadas.

Diante disso, nós, Mulheres Resistem/MT, repudiamos a ação antidemocrática desses grupos religiosos, do Partido Social Cristão/MT, da elite cuiabana e dos tais defensores da “tradicional família”, que empurraram seus preconceitos e conservadorismos para a educação à base de ameaças, articulações políticas das mais oportunistas e imposições. Repudiamos toda a violência policial utilizada contra os manifestantes que marcaram sua posição contrária. O número de policiais da ROTAM era enorme, carregados de armas e bombas de gás. Os policiais agrediram verbal e fisicamente, xingaram, deram socos, ameaçaram de prisão, violentaram corporalmente e violentaram nosso direito de expressão, de democracia e de liberdade.

Esse dia mostrou o quanto nossa luta é grande nessa terra de mato grosso. E, para essa luta, a organização e a unidade das (os) que lutam são cada vez mais urgentes para que possamos avançar. Ainda que sejamos de forças diferentes, a unidade na ação é uma das determinantes para nossa resistência. Não podemos mais responder às demandas, precisamos buscar sempre a antecipação!
No mais, nós, Mulheres Resistem/MT, nos colocamos na luta! E que estejamos todas e todos sempre a postos para resistirmos a esse e aos demais ataques que virão.

MULHER QUE LUTA GERA UM MUNDO NOVO!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s